Talvez o amor aconteça justamente quando o impossível de um encontra o impossível do outro e se opta, conjuntamente, em continuar investindo nisso.

Ninguém é completo sozinho. Acho que só o ser humano acredita nesse discurso de autoajuda. Como seríamos completos sozinhos se desde que nascemos estamos em total dependência de um outro? Ao mesmo tempo…

Ninguém é completo com o outro. Essa é outra fantasia na qual nos apegamos, e o amor romântico está aí mostrando sempre que isso falha. O laço com o outro, por mais intenso que seja, nunca vai tapar nossa falta estrutural, nunca vai tamponar o fato de que vivemos em uma unicidade corporal e desejante.

Ninguém é completo. E é por isso que para amar é necessário confessar suas faltas e se apropriar da própria castração. O amor escancara nossa incompletude. Se o amor é sobre dar o que não se tem, o que seria isso se não dar a própria falta?

O amor é um pacto com o impossível. Porque se tem uma coisa que o amor demanda é a convivência com os impossíveis. O impossível da completude, o impossível da fusão com o outro, o impossível da compreensão e conhecimento do outro.

Talvez o amor aconteça justamente quando o impossível de um encontra o impossível do outro e se opta, conjuntamente, em continuar investindo nisso.

Morgana M Medeiros
CRP 06/140543

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Tudo aquilo que me toca também me enche de vida