Tudo aquilo que me toca também me enche de vida
Tudo aquilo que me toca também me enche de vida. É preciso estar vivo para se afetar e isso me basta para fazer as pazes com o sentir.
Sentir é algo sério numa sociedade que busca um ideal de felicidade que beira a euforia ou tenta anestesiar e tapar tudo que seja do campo do desconforto e da tristeza. Geralmente os dois.
Mas não me parece tão plausível viver uma morte em vida. Uma vida mortificada, sem riscos, sem movimentos, evitando qualquer coisa que possa fugir de um velho script já conhecido - mesmo que extremamente desconfortável.
Também não me parece bom negócio investir em fantasias de como-seria-bom-não-sentir, já que o preço disso é, justamente, continuar sentindo. A angústia se mostra, não mente.
E não me parece viável viver em uma posição desafetada e indiferente. Como se nada importasse e atingisse. O efeito disso é percebido em excesso de pensamentos, insônia, sintomas no corpo e infinitas outras formas.
Parando pra pensar, quão apática nossa vida seria se conseguíssemos realmente atingir um estado de satisfação plena como achamos que queremos?
Atingir um estado de nirvana significaria também suprimir nossos desejos.
A incompletude e os afetos se aliam à vida.
Morgana M Medeiros
CRP 06/140543